Processo de Criação: O que seria de nós sem as coisas que não existem

Processo de montagem do espetáculo “O que seria de nós sem as coisas que não existem”

“O que seria de nós sem as coisas que não existem” é uma parceria entre o LUME e o Centro Via Rosse di Produzione Teatrale (Itália), este dirigido pelo argentino então radicado na Itália, Norberto Presta – que, atualmente, vive no Brasil. Em janeiro de 2004, o LUME convidou Presta para dirigir a montagem de “O que seria de nós...”, que foi criado e concebido por ele, junto de Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini que, além de terem participado da pesquisa, atuam sob direção do argentino.

O encontro entre os dois grupos “fomentou em ambos o anseio de estabelecer relações mais aprofundadas, tendo em vista a mútua identificação das pesquisas teatrais desenvolvidas entre as companhias”, diz Norberto Presta. Na busca de um tema, atores e diretor entraram em acordo sobre a vontade de colocar em cena histórias reais que dificilmente seriam conhecidas pelo grande público.

A pesquisa foi realizada em uma fábrica de chapéus do início do século XX, a Fábrica de Chapéus Cury, na cidade de Campinas (SP). Inspirados no filme “O Chapéu do meu Avô”, de Julia Zákia – neta do dono da fábrica –, diretor e atores criaram uma fábula cuja dramaturgia parte do real para construir um evento puramente teatral, na “busca do chapéu perfeito”.

Dessa maneira, a proposta foi colocar em cena tanto o real observado (pessoas entrevistadas e seus relatos) como figuras ficcionais (construídas partindo do universo físico e imaginário de cada ator), estabelecendo um diálogo dinâmico entre esses dois planos distintos. Esta opção coloca em intersecção parte do trabalho de Norberto Presta e do Grupo Via Rosse (de criação de personagens a partir da coluna vertebral) e parte do trabalho do LUME (de criação de personagens a partir da observação de pessoas reais por meio da Mímesis Corpórea – técnica desenvolvida no LUME).

Paixões, medos e ilusões presentes nas histórias de vida de operários ativos e aposentados da fábrica serviram de fonte para a criação de personagens aparentemente fantásticos. Para Ana Cristina Colla, “o fio condutor da história é o desafio de criar uma onírica fábrica de realidades emprestadas, preenchida pela memória de três chapeleiros-cientistas aposentados que se reúnem na madrugada silenciosa da fábrica” para tentar construir o “chapéu perfeito”, ajudados por uma jovem aprendiz.

Nos depoimentos recolhidos em entrevistas de alguns funcionários aposentados, os fatos vividos emergem revestidos de um encantamento de sonho, ao descreverem os amigos, as relações entre patrão-empregado e as longas horas de dedicação.

Criação e Concepção: Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Norberto Presta, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini // Pesquisa e atuação: Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini // Direção: Norberto Presta // Assistência de direção: Paula Ferrão e Lidiane Lobo // Trilha sonora original: Ivan Vilela // Músicos: Fábio dos Santos e Mauro Braga // Figurinos: Sandra Pestana // Cenotécnica: Abel Saavedra // Desenho de luz: Eduardo Albergaria // Apoio à pesquisa: FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FUNCAMP – Fundação Universidade de Campinas e Fábrica de Chapéus Cury

Publicado em: Pesquisa / Pesquisas de Cenário Artístico
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